Por João Bueno03 Aug,2026Aquele conjunto de listras pretas e brancas nas embalagens parece algo simples. Mas, por trás de cada código de barras, existe um sistema global de identificação que pode influenciar se o seu produto consegue entrar em um marketplace, ser informado corretamente na nota fiscal eletrônica e ser rastreado da fábrica até a porta do cliente. Entender esse sistema deixou de ser conhecimento apenas de back-office: para quem vende em plataformas como Mercado Livre, Shopee e Amazon em 2026, saber o que é GTIN, EAN e como funcionam os prefixos 789 e 790 faz parte da operação.
O Que é o Código de Barras no Brasil e Como Ele Funciona
O código de barras é uma representação gráfica: aquelas listras verticais de larguras variadas que podem ser lidas por um scanner óptico ou pela câmera de um celular. O scanner lê o padrão de barras e espaços e o converte no número do GTIN, que normalmente aparece impresso abaixo do símbolo para conferência ou digitação manual.
No Brasil, o padrão mais comum no varejo é o EAN-13: um código de 13 dígitos que identifica cada produto de forma única no mercado nacional e internacional. As informações associadas a esse código, como o prefixo de registro, a empresa responsável pelo produto, o item específico e o dígito verificador, permitem que sistemas diferentes reconheçam exatamente com qual produto estão lidando.
Para Que Serve o Código de Barras de um Produto?
O código de barras não serve apenas para o caixa do supermercado passar o produto. Na prática, ele desempenha quatro funções centrais em qualquer operação de venda:
Identificação: garante que o produto tenha uma identidade única no mercado, sem ser confundido com outro item, mesmo que produtos pareçam idênticos na aparência, mas sejam diferentes em tamanho, cor, sabor ou volume.
Rastreamento na cadeia de suprimentos: permite acompanhar o produto da fabricação ao consumidor final, com registro em etapas como armazém, transportadora e ponto de venda.
Controle de estoque: cada leitura de código pode registrar automaticamente entradas e saídas. Em um sistema de gestão, isso reduz a necessidade de contagem manual e diminui erros de divergência.
Vendas no varejo e e-commerce: plataformas como Amazon, Mercado Livre e Shopee usam o código para identificar o produto no catálogo, associar anúncios ao item correto e apoiar processos fiscais e logísticos. Quando o identificador é exigido pela categoria, a ausência de um código válido pode fazer o anúncio perder visibilidade, exigir justificativa, ser recusado ou até ser pausado.
O Que Significam os Prefixos 789 e 790 no Código de Barras Brasileiro?
Quando um código de barras começa com 789 ou 790, isso indica que ele foi registrado por meio da GS1 Brasil, a entidade nacional membro da GS1, organização global responsável por padrões de identificação de produtos em mais de 110 países.
Há um detalhe importante que muita gente confunde: os prefixos 789 e 790 indicam a origem do registro, não a origem de fabricação do produto. Um produto fabricado na China pode ter prefixo 789 ou 790 se a empresa responsável pelo registro for associada à GS1 Brasil. Da mesma forma, um produto brasileiro pode ter outro prefixo caso o registro tenha sido feito em outro país.
A estrutura típica de um código EAN-13 brasileiro pode ser entendida assim:
[789/790] + [Código da Empresa] + [Código do Produto] + [Dígito Verificador]O tamanho da parte referente à empresa varia conforme a capacidade contratada e a quantidade de produtos que a organização pretende identificar. Empresas com mais produtos para registrar podem receber um prefixo de empresa mais curto, o que libera mais dígitos para identificar itens individuais.
Qual é a Diferença Entre GTIN, EAN e UPC?
Os três termos estão relacionados à identificação de produtos, mas aparecem em contextos diferentes. Entender a diferença elimina boa parte da confusão que existe nos formulários de cadastro dos marketplaces.
O Que é GTIN e EAN-13?
GTIN (Global Trade Item Number, ou Número Global de Item Comercial) é o termo guarda-chuva: o nome técnico internacional para identificadores de produtos dentro do sistema GS1. Pense nele como o conceito geral.
EAN-13 é o formato mais usado no Brasil e em grande parte do mundo: uma sequência de 13 dígitos que representa um GTIN-13. Em muitos casos, os dois termos se referem ao mesmo identificador; a diferença é que GTIN é a nomenclatura global, enquanto EAN-13 é o nome histórico do padrão adotado no varejo brasileiro.
Na prática, quando um marketplace pede o GTIN do produto, muitas vezes ele espera o número do código de barras impresso na embalagem. No varejo brasileiro, esse número costuma ser um GTIN-13/EAN-13, mas GTINs também podem ter 8, 12 ou 14 dígitos, dependendo do tipo de produto, do país de origem e da finalidade de uso.
Quais São os Principais Tipos de Código GTIN?
O sistema GS1 define formatos diferentes, cada um para um uso específico:
| Formato | Dígitos | Uso principal |
| GTIN-8 (EAN-8) | 8 | Produtos com embalagem pequena, onde não há espaço para o código completo, como balas ou cosméticos pequenos |
| GTIN-12 (UPC-A) | 12 | Padrão muito usado nos Estados Unidos e no Canadá; aceito por marketplaces internacionais como a Amazon |
| GTIN-13 (EAN-13) | 13 | Padrão mais comum no Brasil e em muitos outros países; é o formato mais frequente no varejo nacional |
| GTIN-14 | 14 | Caixas de embarque, paletes e embalagens de distribuição; normalmente não aparece na embalagem de varejo vendida ao consumidor final |
Para a maioria dos vendedores de e-commerce no Brasil, o GTIN-13/EAN-13 é o formato mais relevante. O GTIN-12 pode aparecer em produtos importados dos Estados Unidos, e marketplaces como Amazon e Mercado Livre podem aceitar formatos diferentes conforme a categoria e as regras de cadastro.
Como Obter um Código de Barras Para um Produto no Brasil
Essa é a dúvida mais prática e também uma das áreas em que muitos vendedores cometem erros que custam caro depois.
A GS1 Brasil é a entidade responsável pela atribuição oficial de prefixos GS1 para empresas no país. O processo de registro geralmente segue quatro etapas:
Sim, mas com limitações importantes que dependem do uso que você pretende fazer.
Geradores gratuitos de código de barras disponíveis na internet criam a imagem visual das barras a partir de uma sequência numérica. O código gerado pode ser lido por scanners e pode funcionar para controle interno de estoque, especialmente quando a empresa precisa apenas organizar produtos em um armazém ou sistema próprio.
O problema começa quando esse código vai para um marketplace ou para uma operação comercial que exige identificação oficial. Plataformas como Amazon, Mercado Livre e Shopee podem validar se o GTIN informado existe em bases reconhecidas e se está coerente com os dados do produto, da marca ou da empresa cadastrante. Um número gerado por uma ferramenta gratuita normalmente não existe na base GS1 e pode fazer o anúncio ser recusado, bloqueado, removido ou associado de forma incorreta.
Há ainda o risco de um código gerado aleatoriamente coincidir com o de outro produto já registrado, gerando conflitos de catálogo que prejudicam vendedores e compradores.
Resumo prático:
Uso interno, como estoque próprio e etiquetagem interna: um código gratuito pode funcionar.
Venda em marketplace, distribuição para varejistas e identificação comercial oficial: use um código registrado pela GS1.
Emissão de NF-e: quando o produto possui GTIN, os campos fiscais devem ser preenchidos corretamente. Quando o produto não possui GTIN, deve-se seguir a regra fiscal aplicável, como o uso de `SEM GTIN` nos campos correspondentes.
Ter o código é só metade do caminho. O outro passo é informá-lo corretamente nas plataformas de venda.
A exigência varia por plataforma e por categoria de produto, mas a tendência é clara: os grandes marketplaces estão tornando o uso do GTIN cada vez mais importante para organização de catálogo, validação de anúncios e melhoria da experiência de compra.
Mercado Livre exige ou recomenda o GTIN/EAN em diversas categorias e usa o código para associar o anúncio ao catálogo do produto. Sem o código, ou com um código incorreto, o anúncio pode perder elegibilidade para recursos de catálogo e reduzir sua competitividade em posições de destaque.
Amazon é uma das plataformas mais rigorosas. Em muitas categorias, exige identificadores de produto válidos e recomenda que os GTINs sejam obtidos diretamente pela GS1. Anúncios com GTINs de fontes não reconhecidas, inconsistentes ou incompatíveis com a marca podem ser removidos ou ter problemas de aprovação.
Shopee também vem ampliando o uso de GTIN em categorias específicas, como eletrônicos e eletrodomésticos, com expansão progressiva para outras áreas. O campo de GTIN está disponível no Seller Centre e deve ser preenchido corretamente quando aplicável.
Google Shopping usa o GTIN para compreender melhor o produto e enriquecer anúncios ou listagens com dados como título, imagem, avaliações e correspondência com bases globais. Produtos com identificadores válidos tendem a ter melhor qualidade de dados e maior potencial de visibilidade.
A SEFAZ também merece atenção. Na NF-e e na NFC-e, os campos relacionados ao GTIN podem ser validados em determinados casos. Quando o produto possui GTIN, informações incorretas ou ausentes podem causar rejeição do documento fiscal. Quando o produto não possui GTIN, o preenchimento deve seguir a regra fiscal aplicável, como o uso de `SEM GTIN`.
O código de barras não vive só nos marketplaces. Dentro do armazém e do sistema de gestão, ele é a base de qualquer operação de estoque eficiente.
É uma das dúvidas mais comuns, e a distinção é simples:
SKU (Stock Keeping Unit) é um código interno, criado pela própria empresa para organizar seus produtos. Não existe padrão universal: cada empresa define seu formato. O SKU pode ser uma combinação de letras e números que faça sentido apenas para quem o criou, por exemplo, `CAM-AZL-GG` para uma camisa azul tamanho GG.

Código de barras (GTIN/EAN) é um código externo, padronizado globalmente e registrado no sistema GS1. Ele identifica o produto no mercado, não apenas dentro da sua empresa.
Os dois trabalham juntos: o SKU organiza o produto internamente, em relatórios, análises e controle de giro por variação, enquanto o código de barras ajuda o produto a ser reconhecido por sistemas externos, como marketplaces, transportadoras, parceiros logísticos e sistemas fiscais.
Em um sistema de gestão como a UpSeller, os dois campos podem coexistir no cadastro de produto: o SKU para organização interna e o GTIN para integração com plataformas de venda e processos fiscais.
A maioria dos problemas com código de barras em e-commerce não vem de má vontade; vem de atalhos que parecem razoáveis no curto prazo e geram retrabalho depois.
Usar o mesmo código para variações diferentes. Cada versão de um produto, como cor, tamanho, sabor ou volume, exige um GTIN próprio. Usar o mesmo código para a versão P e para a versão GG de uma camisa confunde o catálogo do marketplace e pode gerar anúncios errados para os compradores.
Usar códigos não oficiais para vendas comerciais. Marketplaces podem validar o GTIN em bases reconhecidas e rejeitar códigos não registrados ou inconsistentes. O que parece economia na hora da configuração pode resultar em anúncios bloqueados e histórico de vendas perdido.
Comprar "códigos baratos" de terceiros na internet. Existem sites que vendem GTINs avulsos por valores baixos. Muitas vezes, esses códigos são revendas, pertencem a outros titulares ou não correspondem à empresa cadastrante. Isso pode gerar recusa por plataformas que verificam a origem e a consistência do GTIN.
Manter inconsistência entre o GTIN e as informações do produto. Se o código de barras registrado indica um produto diferente do que está anunciado, o algoritmo do marketplace pode interpretar a informação como conflito de catálogo e penalizar o anúncio.
Usar etiquetas com qualidade de impressão ruim. Um código de barras que não pode ser lido com precisão pelo scanner gera falhas na expedição, erros de separação e atrasos. Esses são problemas operacionais ligados à impressão física da etiqueta, não ao sistema GS1 em si.
Não atualizar o GTIN no sistema após mudanças relevantes no produto. Se o produto muda de formulação, peso, conteúdo, quantidade ou apresentação e a empresa emite um novo GTIN, todos os sistemas precisam ser atualizados, especialmente o cadastro nos marketplaces e no ERP.
O código de barras é o ponto de partida de uma operação digital integrada. Sem ele, etapas como cadastro, pedido, estoque e logística precisam de mais intervenção manual, com maior risco de erro em cada transição.
Com um GTIN válido associado a cada produto, a automação pode funcionar em cascata:
No cadastro de produtos: quando o ERP está integrado a catálogos ou bases de dados confiáveis, ele pode usar o GTIN para preencher ou validar atributos do produto, como título, categoria e dimensões. Isso reduz o trabalho de inserção manual e o risco de informações inconsistentes entre canais.
Na gestão de pedidos: quando um pedido chega do marketplace, o sistema identifica o produto e pode acionar automaticamente a reserva de estoque, a emissão da NF-e e a geração da etiqueta de envio, reduzindo a necessidade de intervenção manual.
No controle de estoque: cada leitura de código de barras, seja na entrada de mercadoria, na conferência ou na expedição, atualiza o saldo em tempo real. A contagem física periódica também fica mais rápida: o operador escaneia os itens e o sistema compara o resultado com o estoque registrado.
Na venda em múltiplos canais: com o mesmo GTIN cadastrado em Mercado Livre, Shopee, Amazon e outros marketplaces, o sistema de gestão consegue sincronizar melhor o estoque disponível entre as plataformas, reduzindo o risco de overselling, ou seja, vender um produto que já acabou em outro canal.
A UpSeller detecta automaticamente anúncios sem SKU ou sem código de barras (GTIN) cadastrado, ajudando a evitar que esses produtos percam relevância ou sejam pausados nos marketplaces por informação incompleta. O módulo de Checkout Inteligente também usa a leitura de código de barras para confirmar, na hora da expedição, se o produto correto está sendo enviado para cada pedido, reduzindo erros de separação que geram devoluções e prejudicam a reputação da loja.
Para operações em crescimento, o código de barras não é apenas um requisito burocrático. Ele é uma linguagem comum que conecta produto, sistema de gestão, marketplace, logística e nota fiscal em um único fluxo automatizado.
No Brasil, os códigos de barras de produtos registrados pela GS1 Brasil podem começar com os prefixos 789 ou 790. O padrão mais usado no varejo é o EAN-13, um código de 13 dígitos que identifica o produto de forma única no mercado nacional e internacional.
Os prefixos atribuídos ao Brasil pela GS1 são 789 e 790. Um produto com código começando por 789 ou 790 foi registrado por meio da GS1 Brasil, mas isso não significa necessariamente que foi fabricado no Brasil.
O EAN-13 é um código de 13 dígitos. Ele é o padrão mais comum no varejo brasileiro e aparece com frequência em marketplaces nacionais, como Mercado Livre, Shopee, Magalu e Amazon Brasil.
GTIN significa _Global Trade Item Number_ (Número Global de Item Comercial). É o identificador padrão global para produtos dentro do sistema GS1. O EAN-13 é um tipo de GTIN, especificamente o GTIN-13. Na prática, quando um marketplace pede o GTIN de um produto, ele quer o identificador global correspondente àquele item comercial.
Não necessariamente. Os prefixos 789 e 790 identificam que o código foi registrado por meio da GS1 Brasil. Produtos importados podem ter prefixos de outros países e ainda serem válidos para venda no Brasil. O que importa é que o GTIN seja oficial, válido e coerente com a empresa ou marca responsável pelo produto.
Em geral, não é recomendado para fins comerciais. Marketplaces como Amazon, Mercado Livre e Shopee podem validar se o GTIN existe em bases reconhecidas e se está coerente com os dados do produto. Códigos gerados por ferramentas gratuitas normalmente não existem nessas bases e tendem a ser rejeitados ou a causar conflitos de catálogo. Para uso interno, como controle de estoque próprio e etiquetagem interna, um código gerado livremente pode funcionar. Para vendas oficiais, o ideal é usar código registrado pela GS1.
O padrão EAN-13 foi lançado internacionalmente em 1977 como uma evolução do UPC americano para uso global. No Brasil, o Decreto nº 90.595, de 1984, instituiu o Sistema Nacional de Codificação de Produtos e estabeleceu o uso do padrão EAN como referência nacional. Desde então, o código de barras se expandiu do varejo físico para o e-commerce e se tornou parte importante da operação de vendedores em marketplaces.
Entender GTIN, EAN e os prefixos 789 e 790 é o primeiro passo para operar de forma profissional em marketplaces. Mas o código de barras em si é apenas o ponto de partida: o valor real aparece quando ele está integrado a um sistema que usa essa informação para automatizar pedidos, sincronizar estoque e manter anúncios completos e elegíveis em todas as plataformas.
A UpSeller conecta o código de barras ao fluxo completo da operação, do cadastro do produto até a expedição do pedido, para que você não precise gerenciar esse processo manualmente a cada venda.
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